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Clonagem

Escola Secundária da Baixa da Banheira

RESPOSTA À QUESTÃO : Quais  são as  diferenças fundamentais na clonagem em micro-organismos, plantas e animais?
 

- Aspectos técnicos:

 Entende-se por Clonagem a obtenção de seres vivos exactamente iguais, com o mesmo património genético.
 Existem processos pelos quais os seres vivos a partir de células ou grupos de células do seu organismo originam outros seres semelhantes, conservando-se assim a espécie. Este processo já é bastante comum nas plantas. É uma forma natural de reprodução assexuada.
 Também diversos micro-organismos utilizam a simples divisão celular – mitose – para se multiplicarem/reproduzirem.
 Há por outro lado, “processos naturais de clonagem” como o caso dos vírus que parasitam células, utilizando-as como fábricas de vírus: - o vírus injecta o seu DNA na célula hospedeira, levando-a a produzir cópias do DNA original. Estas “cópias” mais tarde libertam-se e parasitarão outras células.
 No caso dos animais são utilizados embriões nas primeiras fases do seu desenvolvimento (até atingirem uma massa de 2 a 8 células); de seguida, adiciona-se uma solução química que dissolve a zona pelúcida que envolve o embrião (e que tem uma natureza proteica e polissacarídea) e assim as células são libertadas (separadas) e colocadas em caixas de Petri: são os blstómeros. Cada um será coberto por uma zona pelúcida artificial e é considerado  um novo embrião. Neste caso, todos partilham a mesma informação genética, isto é, são exactamente iguais.
 Uma técnica mais “arrojada” consiste em retirar das células já separadas (pelo método anterior) o seu núcleo, com o seu próprio DNA e substituí-lo por um núcleo de uma célula do animal que se deseja clonar.

- Aspectos éticos:
   A clonagem em micro-organismos e plantas é eticamente  aceite com mais  naturalidade que a clonagem nos animais, isto porque no primeiro caso não nos diz directamente respeito e, por outro lado, os inconvenientes, à primeira vista, são menores. São considerados seres sem estatuto social,  desprovidos de sentimentos e capacidade de raciocínio.

      Há, no entanto, alguns prós e contras que não queremos deixar de salientar:
- a clonagem de certos micro-organismos nocivos ao Homem poderá ajudar a aumentar o arsenal de armas biológicas;
- a clonagem de plantas em vias de extinção, de modo a reequilibrar o seu número, iria certamente ajudar no reflorestamento do Planeta;
- também a clonagem de plantas cujas características são óptimas para a produção de frutos maiores, mais saborosos, com melhores sementes, etc..., contribui para aumentar a produção e a qualidade das culturas mundiais;
- a clonagem de animais em vias de extinção contribuiria igualmente para o reequilíbrio das suas populações a nível mundial;
- finalmente, a clonagem de animais com utilidade para o Homem, cujas características os criadores querem preservar, tais como a boa qualidade da carne, podem trazer vantagens em termos de saúde à escala mundial.

       A clonagem humana vem introduzir na Humanidade várias questões que precisam urgentemente de resposta. Quer por parte da comunidade científica quer por parte da população em geral.
        Na nossa opinião, pensamos que a clonagem em seres humanos poderia ser aceite como uma ciência que no futuro irá favorecer muito a medicina e a qualidade de vida humana. Isto se pensarmos que com a clonagem de embriões humanos se poderão resolver problemas como o aborto, a contracepção, a cura do cancro e deficiências em crianças. Com o transplante de órgãos clonados poderão ser melhoradas  as condições de vida humana.
        No entanto, com todos estes problemas não significa que se deva adoptar a política “sacrifício de alguns para a salvação de muitos”; esta questão seria ultrapassada se considerássemos os embriões apenas como matéria orgânica, tecido celular básico sem direitos. 
       Aqui, pensamos  que estaríamos a abrir uma porta para a desumanização.
       A criação de seres humanos sem cérebro ( a crer nas notícias recentemente veiculadas pelos media ) foge por completo a todos  os princípios , tanto éticos como morais que conhecemos, e leva-nos a pensar se será justo, mesmo com todos os benefícios, que tal acto seja cometido por seres humanos racionais.

      Antes de mais, é necessário reflectirmos nestas questões:

  • ? Temos o direito  de interferir na vida de um ser que à partida tem tanto direito à vida como nós?
  • ? Não passaríamos (nós, os humanos) a ser seres “descartáveis “ a quem se retira o que se precisa e depois se deita fora?
  • ? Será que é justo usar embriões (potenciais vidas), para melhorar a espécie humana, alterar a sua genética?
  • ? Será que é justo acabar com uma vida, ainda mal iniciada, para salvar outra?

      Se a clonagem for largamente implementada terá de ser sustentada por um sistema jurídico muito forte, com limitações precisas do que se poderá , e não poderá fazer e com uma fiscalização muito rígida. Isto porque a utilização irracional da clonagem em seres humanos por pessoas sem escrúpulos poderia ter consequências catastróficas.
      Se a humanidade  adoptar a clonagem sem reservas, serão criados bancos de embriões para resolver todos os problemas ; isto poderá ser um cenário belo até ao momento em que um qualquer grupo revolucionário, de ideias narcisistas ou mesmo nazis, se apoderar desta tecnologia e a explorar até ao ponto de criar uma “raça” perfeita; este grupo de pessoas poderá governar o planeta e destruir todos os que se opuserem ao seu domínio.
     Este cenário  é uma possibilidade que temos que enfrentar!
     A clonagem seria assim utilizada  para atingir fins menos próprios. Poderia ser uma barreira ao processo natural da vida. O valor dado ao ser humano perder-se-ia, ficaria despido de sentimento; desapareceria o sentido da família, a amizade, o amor e a solidariedade.
     Estaríamos num mundo no qual nós não gostaríamos de viver !!




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