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Netd@ys MCT 97
Projecto Telemático Escolas e Cientistas em Diálogo |
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Clonagem
Escola Secundária da
Baixa da Banheira
RESPOSTA À QUESTÃO : Quais são as diferenças
fundamentais na clonagem em micro-organismos, plantas e animais?
- Aspectos técnicos:
Entende-se por Clonagem a obtenção de seres vivos
exactamente iguais, com o mesmo património genético.
Existem processos pelos quais os seres vivos a partir de células
ou grupos de células do seu organismo originam outros seres semelhantes,
conservando-se assim a espécie. Este processo já é
bastante comum nas plantas. É uma forma natural de reprodução
assexuada.
Também diversos micro-organismos utilizam a simples divisão
celular mitose para se multiplicarem/reproduzirem.
Há por outro lado, processos naturais de clonagem como
o caso dos vírus que parasitam células, utilizando-as como
fábricas de vírus: - o vírus injecta o seu DNA na
célula hospedeira, levando-a a produzir cópias do DNA original.
Estas cópias mais tarde libertam-se e parasitarão outras
células.
No caso dos animais são utilizados embriões nas
primeiras fases do seu desenvolvimento (até atingirem uma massa
de 2 a 8 células); de seguida, adiciona-se uma solução
química que dissolve a zona pelúcida que envolve o embrião
(e que tem uma natureza proteica e polissacarídea) e assim as células
são libertadas (separadas) e colocadas em caixas de Petri: são
os blstómeros. Cada um será coberto por uma zona pelúcida
artificial e é considerado um novo embrião. Neste caso,
todos partilham a mesma informação genética, isto
é, são exactamente iguais.
Uma técnica mais arrojada consiste em retirar das células
já separadas (pelo método anterior) o seu núcleo,
com o seu próprio DNA e substituí-lo por um núcleo
de uma célula do animal que se deseja clonar.
- Aspectos éticos:
A clonagem em micro-organismos e plantas é eticamente
aceite com mais naturalidade que a clonagem nos animais, isto porque no primeiro
caso não nos diz directamente respeito e, por outro lado, os inconvenientes,
à primeira vista, são menores. São considerados seres sem estatuto
social, desprovidos de sentimentos e capacidade de raciocínio.
Há, no entanto, alguns prós
e contras que não queremos deixar de salientar:
- a clonagem de certos micro-organismos nocivos ao Homem poderá
ajudar a aumentar o arsenal de armas biológicas;
- a clonagem de plantas em vias de extinção, de modo
a reequilibrar o seu número, iria certamente ajudar no reflorestamento
do Planeta;
- também a clonagem de plantas cujas características
são óptimas para a produção de frutos maiores,
mais saborosos, com melhores sementes, etc..., contribui para aumentar
a produção e a qualidade das culturas mundiais;
- a clonagem de animais em vias de extinção contribuiria
igualmente para o reequilíbrio das suas populações
a nível mundial;
- finalmente, a clonagem de animais com utilidade para o Homem, cujas
características os criadores querem preservar, tais como a boa qualidade
da carne, podem trazer vantagens em termos de saúde à escala
mundial.
A clonagem humana vem introduzir
na Humanidade várias questões que precisam urgentemente de
resposta. Quer por parte da comunidade científica quer por parte
da população em geral.
Na nossa opinião,
pensamos que a clonagem em seres humanos poderia ser aceite como uma ciência
que no futuro irá favorecer muito a medicina e a qualidade de vida
humana. Isto se pensarmos que com a clonagem de embriões humanos
se poderão resolver problemas como o aborto, a contracepção,
a cura do cancro e deficiências em crianças. Com o transplante
de órgãos clonados poderão ser melhoradas as
condições de vida humana.
No entanto, com todos estes
problemas não significa que se deva adoptar a política sacrifício
de alguns para a salvação de muitos; esta questão
seria ultrapassada se considerássemos os embriões apenas
como matéria orgânica, tecido celular básico sem direitos.
Aqui, pensamos que estaríamos
a abrir uma porta para a desumanização.
A criação de seres
humanos sem cérebro ( a crer nas notícias recentemente veiculadas
pelos media ) foge por completo a todos os princípios , tanto
éticos como morais que conhecemos, e leva-nos a pensar se será
justo, mesmo com todos os benefícios, que tal acto seja cometido
por seres humanos racionais.
Antes de mais, é necessário
reflectirmos nestas questões:
- ? Temos o direito de interferir na vida de um ser que à
partida tem tanto direito à vida como nós?
- ? Não passaríamos (nós, os humanos) a ser seres
descartáveis a quem se retira o que se precisa e depois se deita
fora?
- ? Será que é justo usar embriões (potenciais vidas),
para melhorar a espécie humana, alterar a sua genética?
- ? Será que é justo acabar com uma vida, ainda mal iniciada,
para salvar outra?
Se a clonagem for largamente implementada
terá de ser sustentada por um sistema jurídico muito forte,
com limitações precisas do que se poderá , e não
poderá fazer e com uma fiscalização muito rígida.
Isto porque a utilização irracional da clonagem em seres
humanos por pessoas sem escrúpulos poderia ter consequências
catastróficas.
Se a humanidade adoptar a clonagem
sem reservas, serão criados bancos de embriões para resolver
todos os problemas ; isto poderá ser um cenário belo até
ao momento em que um qualquer grupo revolucionário, de ideias narcisistas
ou mesmo nazis, se apoderar desta tecnologia e a explorar até ao
ponto de criar uma raça perfeita; este grupo de pessoas poderá
governar o planeta e destruir todos os que se opuserem ao seu domínio.
Este cenário é uma possibilidade
que temos que enfrentar!
A clonagem seria assim utilizada para
atingir fins menos próprios. Poderia ser uma barreira ao processo
natural da vida. O valor dado ao ser humano perder-se-ia, ficaria despido
de sentimento; desapareceria o sentido da família, a amizade, o
amor e a solidariedade.
Estaríamos num mundo no qual nós
não gostaríamos de viver !!
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